17/11/2006 ..

Bonne Maman na cabeça!


Acho que essa história de Bonne Maman no Carrefour me tirou do sério e, já que tão cedo não conseguirei tempo para ir ao Carrefour...Pirei! Esqueci de enviar o post de ontem, que acabou não entrando e ficando ultrapassado!

Fui tomar café com biscoito cream cracker à tarde como faço sempre, faça chuva ou faça sol, e me dei conta de que a minha última Bonne Maman já passou da metade do vidro! Fiquei desesperada, lutando entre a sabedoria de comer só um pouquinho ou a de não comer hoje. Acabei optando pela opção menos sábia e cheguei literalmente ao fundo do poço, ou, do pote!

Isso me fez recordar algumas gulodices infantis do tipo: sundae de chocolate! Toda semana íamos - eu, meu avô e minha avó - numa pizzaria em Brasília chamada: Pizzaiolo, que nem sei se existe mais. Não me recordo se a pizza era boa, a verdade é que nem sei que parâmetro eu usava naquela época para determinar esse tipo de coisa! Mas me lembro muito bem do sundae... Meu avô dizia que eu não prestava a menor atenção na pizza, que meus olhinhos já chegavam pensando no sundae com bastante calda de chocolate e caramelo, daquelas bem safadas mesmo!

Eu me lambuzava de comer e sempre reclamava, porque achava que poderia ter ganhado mais calda. Não importava o que o meu avô fizesse, digamos assim, em termos de agrado - ou se preferirem - suborno ao garçom que preparava a sobremesa, ele nunca aumentava a quantidade, pois acreditava que aquela era a proporção exata para um bom sundae. Meu avô concordava com o ponto de vista do “mestre sorveteiro”, mas para me satisfazer ele era capaz de qualquer coisa.

Então, um dia saiu comigo à procura de todos os ingredientes para que eu pudesse preparar em casa o meu próprio sundae com quanta calda eu desejasse. Comprou tudo, tudo igual, desde o copo, até a castanha batidinha e fomos preparar o sundae juntos. Chegamos em casa e fizemos uma tremenda baderna na cozinha, para desespero da minha avó!

Comemos o nosso sundae repleto de calda! Depois nos olhamos, gargalhamos e chegamos juntos à conclusão de que estava insuportável! O “mestre sorveteiro”, que tanto orgulho tinha do preparo do seu sundae, estava certo.

Meu avô, meu pai na verdade, era um sagitariano legítimo, daqueles capazes de virar o mundo de cabeça para baixo para realizar um desejo. Se fosse meu então... Totalmente exagerado quando o assunto era me satisfazer. Aprendi com ele que o sentido da medida pode até passar pelo exagero, mas termina sempre no respeito.

Até!
14/11/2006 ..

Prisioneiros da tecnologia...


Vivemos assim! Tudo evoluiu e isso, inegavelmente, é bom. Falamos com o mundo inteiro através do simples apertar de uma tecla, parece coisa que gente via naquele seriado antológico, “Perdidos no espaço”, e não acreditava que poderia ser verdade um dia.

Lembrando disso, ontem me senti assim: “Perigo! Perigo! Não tem registro! Não tem registro!”

Fiquei refém do meu computador! Perdi o menu e todas as providências anotadas e organizadas de um jantar importantíssimo que faríamos fora do restaurante. Perdi o nosso post de ontem, que havia escrito calmamente no domingo. Perdi as receitas do T&D da aula de ontem e por último perdi a paciência!

Pensei muito sobre esse avanço todo e em como ficamos aprisionados a isso sem perceber. Fiquei extremamente irritada com certas coisas que normalmente não me incomodam. Exemplo: e-mail!

Adoro e-mail, não tenho nada contra, acho rápido, preciso e cheio de vida. Consigo sentir a energia da pessoa pelo e-mail, sempre achei que e-mail apesar de parecer uma ferramenta fria, é na verdade cheio de emoção e convicção. É incrível como você percebe sutilezas, emoções, surpresas nas entrelinhas. Adoro entrelinhas! Adoro reticências... Querem dizer tanta coisa e ao mesmo tempo...

Mas ontem nem mesmo todo o meu romantismo em relação ao e-mail conseguiu ser maior do que a minha irritação. Não abri nenhum, não respondi nenhum! Resultado, hoje meu dia está um caos! Pendências atrás de pendências, reticências mil!

Por outro lado encontrei tantos aspectos incríveis e interessantes nessa evolução - entre eles, o nosso encontro! Acabei me acalmando e até sorrindo sozinha (é ótimo sorrir sozinha). Normalmente a gente só faz isso em duas situações: ou porque se está apaixonado, ou porque pensou em alguma coisa muito boa.

Lembrei da mesa redonda que participei no MAM sobre blogs, onde debatemos muito o nível de intimidade que se cria através dessa ferramenta e inevitavelmente lembrei de nós. Lembrei do encontro mundial e do esforço de todos em romper as grades da tecnologia e se atirar de cabeça no mundo real apenas para: ver, encontrar, tocar! E seguir um mapa de loucuras gastronômicas de uma Chef muito maluca pelas ruas de Paris, gargalhando de prazer. A vitória do encontro fora das barreiras impostas pela tecnologia. Tecnologia essa que ao mesmo tempo é capaz de romper tantas barreiras e promover encontros como esses! Adoro idiossincrasias!

Adoro a tecnologia contanto que a gente não se conforme apenas com o que ela acha que pode nos oferecer! Contanto que a gente busque sempre maneiras mais intensas e verdadeiras de ser e vivê-la!

Cheguei à conclusão de que o que me irritou ontem, não foi a tecnologia, mas a falta dela, que me impediu de “ver” vocês!

Até!
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